Você já ouviu falar em serafins, querubins ou grigori, mas não sabe exatamente quem é quem nesse panteão alado? A verdade é que os tipos de anjos formam um labirinto de hierarquias e funções que mudam conforme o texto sagrado ou a época.
Para não se perder entre asas e halos, o blog Fright Like a Girl reuniu as classificações mais citadas nas tradições judaica, cristã e islâmica. Em poucos minutos, você entende onde cada classe se encaixa e descobre por que esses seres ainda povoam o nosso imaginário.
Tipos de anjos na hierarquia cristã medieval
A divisão mais popular entre os fiéis do Ocidente é a dos nove coros angélicos, formulada no século V por Pseudo-Dionísio e refinada por Tomás de Aquino. Ela agrupa os tipos de anjos em três camadas que vão do trono divino ao contato direto com os humanos.
Primeira hierarquia: serafins, querubins e tronos. Os serafins, “ardentes” em hebraico, simbolizam amor puro e aparecem com seis asas. Os querubins, longe da imagem de bebês rechonchudos, surgem na Bíblia com múltiplas faces e representam conhecimento. Já os tronos são descritos como rodas cheias de olhos, personificando a justiça de Deus.
Onde surge o conceito de nove coros
A Bíblia não traz essa estrutura pronta; ela nasceu da leitura de passagens dispersas, traduções gregas e comentários patrísticos. A sistematização ganhou força na Idade Média, quando a angelologia virou tema de universidades e de obras como a Suma Teológica.
Segunda hierarquia: dominações, virtudes e poderes. Dominações funcionam como administradores celestes; virtudes regem milagres e os movimentos da natureza; e poderes são guerreiros incumbidos de manter o equilíbrio cósmico.
Terceira hierarquia: principados, arcanjos e anjos. Principados são guardiões de povos inteiros; arcanjos, mensageiros de alta patente — Miguel, Gabriel e Rafael são os mais famosos; por fim, anjos comuns atuam como protetores individuais, daí a ideia de “anjo da guarda”.
Tipos de anjos no judaísmo e no islamismo
No judaísmo, muitos nomes coincidem com a lista cristã, mas há classes próprias. Ofanim aparecem na visão do profeta Ezequiel como rodas dentro de rodas repletas de olhos, responsáveis por mover o trono divino. Os chayyoth, também citados por Ezequiel, têm quatro rostos e transportam esse mesmo trono.
Imagem: vezes
Outros tipos de anjos hebraicos incluem os erelim, associados a momentos de transição histórica em Jerusalém; os hashmallim, ligados ao fogo celestial; e os bene elohim, integrantes do conselho divino. Mais próximos dos humanos estão os ishim, que falam com profetas, e os malakhim, criados para missões específicas sem vontade própria.
Os textos apócrifos trazem ainda os grigori, ou vigilantes, citados no Livro de Enoque. Inicialmente designados para orientar a humanidade, alguns se rebelam, descem à Terra e inspiram a posterior noção de anjos caídos, ligados à figura de Lúcifer no imaginário medieval.
No islamismo, o Alcorão menciona anjos frequentes na vida do fiel, mas não define uma hierarquia rígida. Em linhas gerais, há dois grandes grupos: os karubiyin, voltados à adoração contínua no céu, e os rasūl, mensageiros que executam ordens divinas na Terra. Alguns estudiosos acrescentam os mudabbirât, encarregados das leis naturais.
O teólogo Fakhr al-Din al-Razi (morto em 1209) descreveu oito classes: hamlat al-arsh carregam o trono; al-muqarrabin louvam a Deus; e os quatro arcanjos islâmicos — Jibra il, Mikha il, Israfil e Azrail — cumprem papéis de revelação, provisão, trombeta do Juízo e morte, respectivamente. Há ainda os zabaniyya, que punem pecadores, Ridwan, guardião do paraíso, e os kiraman katibin, registradores das ações humanas.
Com tantas camadas e denominações, fica claro que os tipos de anjos ultrapassam fronteiras religiosas e continuam alimentando obras de arte, literatura e entretenimento. Dos manuscritos antigos às telonas de hoje, esses seres alados seguem despertando fascínio e, claro, muitas perguntas.
