Dead of the Brain sempre foi mais lenda de nicho do que jogo fácil de encontrar. O terror zumbi lançado originalmente em 1992 para o PC-98, da NEC, estreia no Steam em 30 de outubro de 2026 com texto em inglês oficial pela primeira vez.
A mudança parece pequena, mas não é. Para quem só conhecia o título por capturas, traduções de fãs ou conversas de preservação, a nova versão coloca um pedaço bem sangrento do horror japonês dos anos 1990 diante de um público que talvez nunca tenha tocado em um PC-98.
O terror do PC-98 fica menos inacessível para quem joga em 2026
A publicação da nova versão fica com a Fakku, dentro do movimento de licenciamento do catálogo da desenvolvedora japonesa FairyTale. O jogo também terá uma demonstração no Steam Next Fest a partir de 19 de outubro de 2026, antes da estreia completa.
Esse detalhe ajuda a explicar o interesse. Dead of the Brain não volta apenas como curiosidade antiga: ele chega com texto totalmente traduzido para o inglês, arte em pixel ampliada e recursos opcionais para reduzir o atrito de uma aventura de outra época.
Inglês oficial muda o alcance do jogo
Nos últimos anos, traduções de fãs já tinham aproximado alguns jogos de PC-98 do público ocidental, incluindo títulos da própria série. A diferença agora é que o primeiro Dead of the Brain ganha suporte oficial em inglês, embora ainda não exista confirmação de tradução em português brasileiro.
A graça está no excesso de filme B, mas com ressalvas
A história começa com Cole, um sujeito comum chamado por seu amigo cientista, o Dr. Cooger, para ver um experimento capaz de trazer mortos de volta à vida. Claro que a ideia dá errado. Os ressuscitados retornam como zumbis famintos por cérebros, sem traços da personalidade anterior.
A inspiração é assumidamente suja e exagerada. O jogo foi pensado como uma homenagem ao splatter norte-americano dos anos 1980, com ecos de A Morte do Demônio e Re-Animator, ambos no teste IPTV. A presença de Ryuichi Makino nos designs de personagens também chama atenção, já que ele trabalharia em animes como Wandering Son e Re:CREATORS.
Ao mesmo tempo, vale ir com alguma cautela. Relatos recentes sobre a redescoberta do jogo lembram que ele carrega violência gráfica, clima de exploitation e conteúdos datados, incluindo momentos desconfortáveis típicos de certo horror de baixo orçamento. Não é relíquia limpinha de museu.
As melhorias tentam preservar sem apagar a estranheza
Na prática, Dead of the Brain é uma aventura apontar e clicar, com comandos como olhar, usar e pegar para investigar cenários e avançar na história. O jogo também tinha sequências de reação rápida, próximas do que depois se popularizaria como quick time event, exigindo cliques em áreas específicas para evitar mortes.
A nova edição tenta suavizar esse envelhecimento sem transformar o material em outra coisa. Entre os ajustes citados estão salvamento automático, dicas ao passar o cursor e hit boxes opcionais, recursos que podem ajudar quem não tem paciência para adivinhar cada pixel interativo.
Na leitura do Salada do Cinema, esse é o ponto mais interessante: a versão de Steam não precisa provar que o jogo envelheceu perfeitamente. Ela precisa mostrar por que aquela mistura de gore, aventura rígida e fascínio por cinema de horror ainda desperta curiosidade.
A estreia de Dead of the Brain no Steam mira o Halloween dos curiosos
Com lançamento marcado para 30 de outubro de 2026, Dead of the Brain chega praticamente colado ao Halloween e deve funcionar melhor para quem quer experimentar uma peça rara do horror japonês do que para quem espera uma aventura moderna e polida.
Fonte principal: AUTOMATON WEST. Informações complementares: PC Gamer, Anime News Network, NewGameNetwork, Bloody Disgusting.