Suzane von Richthofen torna-se administradora de herança de R$ 5 milhões
abr, 7 2026
Um desdobramento jurídico que promete dividir opiniões acaba de acontecer nos tribunais paulistas. A Justiça de São Paulo nomeou, no dia 7 de fevereiro de 2026, Suzane von Richthofen como inventariante do patrimônio deixado por seu tio materno. A decisão coloca a mulher, condenada por arquitetar a morte dos próprios pais, na posição de administradora de uma fortuna estimada em R$ 5 milhões.
O caso surge após a morte de Miguel Abdalla Netto, médico e empresário de 76 anos, ocorrida em 9 de janeiro de 2026. Ele foi encontrado morto em sua residência no bairro do Campo Belo, zona sul da capital paulista. Como o tio não deixou testamento e não possuía cônjuge ou filhos, a sucessão recaiu sobre os parentes colaterais.
Aqui está o ponto central: Suzane assume a função de inventariante, mas isso não significa que ela já é a dona de tudo. Ela não tem poder para vender ou utilizar os bens neste momento; sua função é gerir a listagem e a conservação do patrimônio enquanto o processo de partilha corre.
A disputa legal e a exclusão de outra herdeira
A nomeação de Suzane não ocorreu sem conflitos. Uma mulher identificada apenas como Silva, de 69 anos, alegou ter mantido uma união estável com Miguel Abdalla Netto por cerca de 14 anos. Ela buscava o reconhecimento judicial desse relacionamento para entrar na divisão dos bens. No entanto, a Justiça decidiu que não havia provas credíveis dessa união.
Com a exclusão de Silva da linha de sucessão, o caminho ficou livre para os sobrinhos. O patrimônio em questão é robusto: inclui ao menos duas casas, aplicações financeiras e um terreno na região litorânea de São Paulo. O valor total, como mencionado, gira em torno dos R$ 5 milhões.
Por que uma condenada por homicídio pode herdar?
Para muita gente, isso soa absurdo. Afinal, como alguém que cometeu um crime tão hediondo pode ser beneficiado legalmente? A resposta está no que os advogados chamam de "indignidade sucessória". Turns out, essa punição não é global; ela é específica para a vítima do crime.
De acordo com a advogada Beatriz Leão, a indignidade só existe quando há um ato contra a própria pessoa de quem se está herdando. No caso de Suzane, ela foi declarada indigna em 2015 em relação aos bens de seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen, perdendo o direito a uma herança de R$ 10 milhões que ficou integralmente com seu irmão, Andreas.
Mas o tio é outra história. Como o crime não foi cometido contra Miguel Abdalla Netto, a lei não impede que ela herde dele. A advogada Thaís Acayaba reforça que a sanção da indignidade é personalíssima. Ou seja, ela é "banida" da herança dos pais, mas continua sendo, legalmente, a sobrinha de Miguel.
A engrenagem do Direito de Representação
Para entender como Suzane entrou na jogada, precisamos falar do "direito de representação". Basicamente, como a mãe de Suzane (irmã de Miguel) já havia morrido, os filhos dela (Suzane e Andreas) assumem o lugar da mãe na linha sucessória.
A Dra. Mariana Barsaglia Pimentel, doutora em direito e especialista em sucessões, explica que, na ausência de descendentes (filhos/netos) e ascendentes (pais/avós), os parentes colaterais são chamados. A hierarquia do Código Civil é rígida e, neste cenário, os sobrinhos tornam-se herdeiros legítimos.
Fatos principais do caso:
- Valor do espólio: Aproximadamente R$ 5 milhões.
- Bens incluídos: Imóveis urbanos, terreno no litoral e aplicações financeiras.
- Data da nomeação: 7 de fevereiro de 2026.
- Status jurídico: Inventariante (administradora), sem poder de alienação dos bens.
Impacto social versus rigor da lei
É interessante notar o choque entre a moralidade pública e a técnica jurídica. Enquanto a sociedade vê a nomeação como uma injustiça, especialistas como o advogado Sandro Schulze, sócio da A.C. Burlamaqui Advogados, pontuam que o juiz deve seguir a letra da lei, independentemente do histórico criminal do herdeiro, desde que este não tenha agido contra o falecido.
Se houvesse um testamento excluindo explicitamente os sobrinhos, a situação seria diferente. Mas, como Miguel Abdalla Netto não deixou esse documento, a lei aplica a sucessão legítima. O caso agora segue para as etapas normais de inventário, onde os bens serão avaliados e, eventualmente, divididos entre os herdeiros legalmente reconhecidos.
Perguntas Frequentes
Suzane já pode gastar o dinheiro da herança do tio?
Não. No momento, ela foi nomeada como inventariante, o que significa que ela é a administradora legal dos bens. Ela deve zelar pelo patrimônio e prestar contas à Justiça, mas não possui autorização para vender imóveis ou sacar valores para uso pessoal até que a partilha final seja homologada.
Por que ela foi excluída da herança dos pais, mas não da do tio?
Isso ocorre devido ao conceito de 'indignidade sucessória'. No Brasil, quem comete crime contra o autor da herança é excluído da sucessão. Como Suzane matou os pais, ela se tornou indigna em relação aos bens deles. Porém, como não cometeu crime contra o tio, esse impedimento não se estende a ele.
Quem mais tem direito a essa herança?
O irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, também possui direito à herança através do mesmo princípio do direito de representação, já que ambos são filhos da irmã pré-morta do médico Miguel Abdalla Netto.
O que teria mudado se o tio tivesse deixado um testamento?
Se Miguel Abdalla Netto tivesse deixado um testamento, ele poderia ter destinado seus bens a outras pessoas ou instituições, ou explicitamente excluído seus sobrinhos da sucessão, mudando completamente o desfecho do caso.